Death of X - A Marvel reage
Dicotomia.
O
traverso entre ideologias permeia uma série de coisas na vida. Azul vs
Vermelho, Branco contra Preto, Malcolm X vs Martin Luther King, Índia vs Gandhi
e por ai vai.
Mas
nenhum deles se equipara ao duelo talento vs grana. Talento é foda. Você não
consegue dignificar o quão bom é um craque, ele simplesmente é. Você não vai
conseguir definir o talento de um Cristiano Ronaldo, de um Ibrahimovic ou de
Lionel Messi, os caras são fora de série, e isso não pode ser discutido, o que
eles fazem nas quatro linhas não pode ser definido pelas cifras dos cartolas,
eles simplesmente são.
Assim
como é na vida (e no futebol) também vale para os comics. A Marvel (sobre o
comando da Disney e querendo esconder que rachou ao meio) tem aos poucos dado
uns poucos lampejos de inspiração na sua enxurrada de lançamentos (um deles foi
as Guerras Secretas, que apesar de muita apelação e da tentativa de unir
diferentes universos e estúdios, foi um estrondoso fracasso).
E
nesse meio tempo onde a grana quer falar mais alto que o talento, sobrou para a
maior equipe de heróis independentes do planeta, to falando é claro, dos X-Men.
Pressionados por um acordo mefistofélico que Stan Lee faz com a Fox (mas que
deu certo, pro bem e pro mal), a Casa das Idéias não tem dado vida fácil aos
pobres mutantes (tá eles nunca tiveram). E agora estão ameaçados por um inimigo
muito maior que a caneta dos roteiristas. Sim, a grana.
Desde
que a Disney assumiu a Marvel, ficou claro que o foco seria o cinema, e como
tinham os Vingadores a mão, foram eles os escolhidos para tomar o mercado. Mas
mesmo com os seus filmes, os Vingadores nunca foram mais fortes que os
mutantes. Mesmo estando em outra companhia, os filmes dos x-men rendem milhões,
que não vão para o bolso da Marvel (ops, da Disney) e sim da Fox, que os faz
sobre críticas, mas verdade seja dita, com muita independência.
Eu
não vou aqui me ater ao fato de que a Marvel se arrependeu e quer os mutantes
de volta. Vou analisar o momento atual. A Disney resolveu criar os seus
próprios mutantes, estou falando dos Inumanos, que são mais do universo dos
Vingadores mas que já tiveram várias participações com os mutantes. Pelo fato
deles poderem ser utilizados nos seus filmes (assim como os Guardiões da
Galáxia), foram incluídos no sistema de cotas da empresa e ganharam muita
importância do dia para a noite, sendo até reconhecidos, vão ganhar até um
filme próprio. Mas X-Men é X-Men.
Daí
chegamos a saga desse ano. Death of X mostra mais uma das tresloucadas
consequências das tais Guerras Secretas, a tal névoa terrígena, que mata os
mutantes e faz brotar da terra (sim é sério) os tais Inumanos. Colocando
Ciclope (o cara, o foda) contra essa galera (afinal os mutantes tão na baila),
o pau vai comer...servido. Jeff Lemire e Charles Soule são os felizardos, e
logo de cara mostra a que veio, de um lado o mundo verde fluorescente dos
Inumanos (tá tem uns agentes da Hydra também) e do outro as consequências sem
noção causadas nos mutantes, no assassinato de Jamie Madrox, o Homem Múltiplo,
na ilha Muir, infestada pela névoa.
Mas
e aí o que fica pra nós? Fica claro a crítica a juventude feita pelo
roteirista. Vivemos em uma atual sociedade que os velhos não tem mais vez, e
que no fim da porra das contas, os jovens só olham pra seu próprio umbigo, ao
criar uma guerra, Scott está certo. O poder do dinheiro (e do encantamento)
sobre as pessoas é muito grande, o que faz que esqueçamos que por causa dele
exista miséria, fome e por ai vai. Mais ou menos o mesmo que ocorre no sistema
de castas da atrasadíssima Índia, por exemplo. Humanismo zero. É melhor morrer
na luta do que sucumbir. Não parece tão ruim assim o ponto de vista do ISIS,
não é mesmo? O que você faria se soubesse que ninguém luta por você? E que
tanto faz que morra ou não?
Essas
questões levantadas de forma sutil e inteligente, faz de Death of X o evento do
ano, superior a mil guerras civis e guerras secretas. Essa com certeza eu vou
comprar quando chegar aqui. E demonstra que a Casa das Idéias ainda tem fôlego
sim...pra boas idéias.
p.s.: #teamcyclops. Go Hydra!
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